Quem tem uma confecção no Agreste sabe que o dia a dia consome. Produção, fornecedor, cliente, prazo, funcionário. Sobra pouco tempo — e às vezes menos dinheiro do que deveria, considerando quanto a empresa fatura.
A maioria dos problemas financeiros em confecções não vêm de má sorte. Vêm de erros silenciosos, que se repetem todo mês, e que com o tempo viram parte da rotina. O empresário nem percebe mais que está errando — porque sempre foi assim.
Listamos os 5 mais comuns.
1. Misturar o dinheiro da empresa com o pessoal
É o erro número um. O empresário paga conta do condomínio pelo caixa da confecção, usa o cartão da empresa para compra de supermercado, transfere dinheiro para a conta pessoal quando precisa sem registrar nada.
O resultado: no fim do mês, ninguém sabe se a empresa lucrou ou se foi o dono que consumiu o lucro. A solução começa com uma conta bancária separada e um pró-labore definido — um salário fixo que o sócio retira todo mês, independente de como foi o mês.
2. Precificar no chute
“Olho o que o concorrente cobra e coloco um pouco menos.” Esse raciocínio parece lógico, mas ignora um detalhe fundamental: você não sabe se o concorrente está ganhando ou perdendo dinheiro naquele preço.
Precificação correta começa pelos custos reais — matéria-prima, mão de obra direta, embalagem, frete, impostos, despesas fixas rateadas. Só depois disso você define a margem. Sem esse cálculo, pode estar vendendo no prejuízo sem saber.
3. Não ter fluxo de caixa
Fluxo de caixa não é planilha de contador. É a ferramenta mais básica de gestão financeira: saber quanto vai entrar e quando, e quanto vai sair e quando.
Sem isso, o empresário só descobre que está sem dinheiro no dia em que precisa pagar o fornecedor. Com um fluxo de caixa simples — mesmo que numa planilha manual — é possível antecipar esse problema com 15 ou 30 dias de antecedência e tomar uma decisão antes que vire crise.
4. Ignorar o custo fixo no cálculo do produto
Aluguel, energia, internet, contador, salário de funcionário administrativo — tudo isso existe independente de quantas peças você vende. Mas muitos empresários calculam o preço do produto levando em conta só o custo variável (tecido, linha, embalagem).
O custo fixo precisa ser rateado entre os produtos. Se você vende 1.000 peças por mês e tem R$ 10.000 de custo fixo, cada peça carrega R$ 10,00 de custo fixo — mesmo que você não veja esse número em lugar nenhum.
5. Confundir lucro com caixa
A empresa pode ter lucro contábil e estar sem dinheiro no caixa. Isso acontece quando vende muito a prazo, tem estoque parado ou pagou antecipado fornecedores que ainda não entregaram.
Lucro é uma informação. Caixa é a realidade. Gerir uma confecção exige acompanhar os dois — e entender quando e por que eles divergem.
Por onde começar?
Não precisa resolver os cinco de uma vez. Começa pelo mais urgente: separa a conta bancária, define o pró-labore, monta um fluxo de caixa simples.
Se você leu essa lista e reconheceu pelo menos dois itens no seu negócio, vale a pena conversar. É exatamente para isso que a Percorsi existe.

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